Aceitação não é Passividade!



Não aceitar é brigar com uma realidade que está bem à nossa frente. Muitas coisas na vida ocorrem de uma forma que nós não desejamos.  Quando isso ocorre, surge um sofrimento ou conflito interior ao qual podemos chamar de não-aceitação.

A mente costuma distorcer e nos fazer acreditar que agir da forma mais fácil que há é a mais difícil. Quando estamos passando por alguma situação que vemos como negativa, a reação mais difícil é a não-aceitação e a mais fácil é a aceitação. Mas não seria o contrário? Não. É que quando não aceitamos a situação, criamos uma resistência interior desconfortável que nos faz sofrer.

E de que adianta eu brigar com a realidade? Nossa reação não tem poder de mudar a situação exterior ou o comportamento de alguém. Mas, inconscientemente, é como se achássemos que nossas reclamações mentais e nosso desconforto interno fosse mudar algo.

Também temos, muitas vezes, a tendência de não aceitar nossas emoções mais básicas, negando-as de uma tal maneira que podemos até mesmo não conseguir identificar, num primeiro momento, o que realmente estamos sentido.

Quando se fala sobre aceitação, algumas pessoas afirmam que é ela responsável pela ausência de ação. Assim, quando você aceita algo, você fica passivo, não toma nenhuma atitude. Porém, a falta de ação é consequência de muitos outros problemas emocionais ligados à autoestima: sentir-se inferior, dificuldade para dizer não, medo de não ser aceito, medo de ser analisado e julgado.

O papel do psicólogo e da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é ajudar o paciente a identificar claramente essas emoções, analisá-las e ajudar para que a pessoa deixe de lutar contra suas próprias emoções (aceitação), estreitando o laço (compromisso) com seus valores, isto é, as coisas que mais importam para ela.

Referências Bibliográficas

BECK, J. S. Terapia cognitiva: Teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.

Hayes, Steven. Get Out of Your Mind and Into Your Life. USA: Read How You Want, 2005.

Hayes, S. C., Strosahl, K., & Wilson, K. G. Acceptance and Commitment Therapy: An experiential approach to behavior change. New York: Guilford Press, 1997.

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